Desconfiança no sistema eleitoral e o risco democrático do oportunismo

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A recente eleição americana e o tempo necessário à contagem dos votos, trouxe novamente à tona o discurso oportunista sobre a segurança e eficiência do sistema de votação eletrônica brasileiro.

Não, Bolsonaro apesar do absurdo, não inovou nesse quesito, esse “questionamento” surge de tempos em tempos desde que o sistema foi instalado, há 24 anos. Há os que reclamam o retorno ao voto impresso, há que pedem a impressão do voto após sua realização para que sirva de comprovante ao eleitor, há os que insistem em afirmar que a urna é vulnerável ao ataque de hackers por meio da Internet .

Antes de discutirmos os efeitos desses questionamentos em si, é importante que pontuemos que a maioria deles é o resultado da desinformação sobre o funcionamento do sistema. Óbvio que nenhum sistema é infalível, mas alguns pontos são importantes como o fato de que o sistema da urna eletrônica não é ligado em rede e muito menos à internet, portanto não há como hackear enquanto você está votando. São realizados inúmeros testes antes do dia da eleição e estes são realizados na presença das autoridades da justiça eleitoral e representantes das instituições partidárias.

O episódio de hackeamento do sistema do TSE no primeiro turno das vantagens, com certeza teve o intuito de lançar mais uma vez a dúvida sobre a eficiência e segurança do sistema eleitoral e o presidente e seu grupo aproveitaram para reavivar esse pretenso “debate”, que não é bem um debate, visto que falta informação há muitos dos envolvidos, incluindo os cidadãos, sobre como funciona o sistema de urnas eletrônico e o sistema eleitoral brasileiro em si.

Trata-se de um discurso oportunista e inflamado. Se esse questionamento oferece o intuito legítimo de buscar a qualificação do sistema, viria acompanhada de informação, informação para a população sobre como funciona todos os sistemas, por que nossa eleição é eletrônica etc.

Uma comparação imediata com as vantagens americanas apresenta um paralelo absurdo. Em primeiro lugar o sistema político e, consequentemente, o sistema eleitoral de um país é o resultado do processo de construção histórica e política deste, o que já nos permite perceber a diferença gritante entre os dois países nesse quesito. Outro ponto que se coloca é o índice de fraude nas alterações americanas, que também difere bastante do nosso.

O que importa destacar é que esse questionamento não tem a ver com qualificar nossa democracia. É, antes de tudo, uma tentativa constante de questionar o sistema legítimo que temos e publicado o entendimento das pessoas sobre a importância do processo eleitoral buscando minar a confiança que as pessoas têm sobre o poder do seu voto. Se o cidadão passar a não acreditar que seu voto seleciona seus representantes e que módula os interesses que estão em disputa dentro da sociedade, ele passa a se comportar de forma apática e conformista, deixando de participar politicamente e o mais importante, de questionar.

Quando paramos de questionar as ideias e decisões políticas dos que nos representam, nos deixamos governar por interesses egoístas e isso não é democracia. Fiquemos de olho, não se trata dos botões das urnas e sim de poder.

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