Futebol, religião e política

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Você com certeza já ouviu que “não se discute futebol, religião nem política”. Bem, para mim funciona assim: eu não discuto futebol por que não entendo e não me interesso, religião eu acredito que devemos conversar e debater, discutir não é produtivo e, na política é mais que necessário conversar, debater, discutir, disputar e o que mais for possível fazer, afinal é no campo da política que nossa vida em sociedade é definida, inclusive em questões religiosas e futebolísticas.

Ao longo dos anos, fomos e ainda somos bombardeados pela mensagem subliminar de que “política não é lugar de gente de bem”, “político é tudo igual”, “político não presta”. Você pensa isso sempre que vê, lê ou ouve as notícias não é? Pois é, nada disso é por acaso.

A frase de Arnold Toynbee, “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam” traduz a produção de um sentimento artificial de que você não gosta de política, ou não se interessa. Todo mundo fala sobre política e a conversa pode levar horas, mas sempre começa por “eu detesto política”. Percebe como não é verdade? A gente não dedica tempo ao que não gosta.

O castigo de que fala Toynbee é um castigo imposto e não é resultado de um mau comportamento nosso. Ela esconde um cenário no qual as pessoas, ao se afastar do dia a dia da política e da disputa de cargos, deixaram os espaços de decisão às pessoas, em alguns casos, desqualificadas ou mal intencionadas. Durante muito tempo esse processo enfraqueceu nosso interesse em participar da vida política e, em certa medida de fiscalizar as ações dos representantes abrindo espaço para comportamentos nocivos se instalarem na prática política.

Esse distanciamento teve ainda impacto ainda na renovação das lideranças políticas, pois, quando o cidadão não quer participar e se colocar à disposição para disputar os cargos, os mesmos nomes se perpetuam no poder e deixam de cumprir com suas obrigações, por puro comodismo.

A maioria das pessoas, ao serem provocadas a falar sobre política e seus impactos na sua vida, o fazem de forma espontânea, algumas vezes de forma qualificada, fazendo uma relação de causa e efeito entre a ação de seus representantes e o resultado do desenvolvimento de suas comunidades, cidades, estados e países. Então por que ainda nos conformamos em repetir o mantra “não entendo de política” ou “não me interesso por política”? Com as redes sociais, essas conversas ganharam uma proporção muito maior e cada vez mais pessoas encontraram voz e outras pessoas que pensavam de forma semelhante, quebrando a barreira dos palanques e microfones, onde só quem tinha poder, tinha a possibilidade de expressar suas ideias e opiniões.

Bem, entendemos sim de política. Não estou falando da ciência que precisa de anos de investigação e estudo para aprender as técnicas de leitura e intervenção na realidade. Estou falando da vivência das relações que dão vida à sociedade, à democracia. O cidadão não precisa saber da teoria da eleição política para entender a importância do seu voto e qual o papel do candidato que elege (infelizmente alguns dos candidatos sequer entendem seus papéis), esse conhecimento intuitivo é fruto dos valores que recebeu de sua família e comunidade e das suas experiências acompanhando campanhas e votando.

Futebol e religião também estão no domínio da política, o Papa é eleito e governa um Estado, além de sua função de guia espiritual. O funcionamento e as disputas do futebol são decididos por meio de eleições de dirigentes, negociações para concessões públicas, etc. então, vamos nos livrar de vez do tal castigo e nos interessar, vamos nos governar ou sermos governados por pessoas que tenham qualidade na sua ação. Acha que a política precisa de mudança? Sempre vai precisar de mudança e aperfeiçoamento, e deve partir de nós, nós mudamos para que eles (os representantes) e ela (a política) mudem.

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