Gravidez tardia: existe idade correta para engravidar? Obstetra pondera riscos

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Foi há pouco mais de 60 anos que a história dos direitos reprodutivos das mulheres começou a mudar. O desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros lhes permitiu novas possibilidades de aprimoramento profissional e pessoal, ou seja: novas escolhas. Esse contexto reforçou fortemente a decisão de adiar a gravidez, tornando comum casos de gestações tardias.

Na década de 1960, ano em que surgiu a pílula anticoncepcional, a faixa etária considerada ideal para dar à luz era de 18 a 25 anos. Quando a mulher tinha seu primeiro filho depois dos 25, era classificada de primigesta idosa. Mas, afinal, existe idade correta para engravidar?

A obstetra Renata Ramos, que atua no Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), gerida pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), ressalta que gestações a partir dos 35 anos exigem atenção às consultas pré-natais. Há riscos de os bebês desenvolverem malformações fetais e, para as mulheres, aumenta a chance de desenvolvimento de doenças como diabetes gestacional e hipertensão arterial. Confira a entrevista completa:

 

A gravidez tardia se configura a partir de que idade?

Renata Ramos: Consideramos que a gravidez tardia se configura a partir dos 35 anos de idade.

Por que a gestação é mais desafiante para mulheres com uma idade mais avançada? Quais os riscos para a mulher e para o bebê de uma gestação após os 35 anos?

R.R.: Nas gestações tardias, consideramos que o feto apresenta um risco maior para o desenvolvimento de trissomias dos cromossomos (como a síndrome de Down) e de outras malformações fetais. Para a mãe, existe aumento no risco de desenvolver complicações como diabetes gestacional e hipertensão arterial.

Quais os cuidados que uma mulher que decide ter uma gestação tardia deve tomar?

R.R.: O primeiro e principal cuidado é fazer as consultas de pré-natal de forma rotineira e, de preferência, com um médico obstetra. A realização de ultrassonografia morfológica de primeiro e segundo trimestres também se faz necessária para o rastreio e a identificação de alterações fetais. Lembrar, ainda, que cuidados com alimentação e a prática frequente de exercícios físicos reduzem as chances de desenvolvimento de doenças no período.

O pré-natal de uma gestante com gravidez tardia tem cuidados específicos?

R.R.: São consultas realizadas de forma mais detalhada, em que são pesquisadas, de forma minuciosa, doenças pré-existentes na mulher, bem como são identificados fatores de risco que podem aparecer durante o período gestacional. Em geral, são solicitados exames de rotina e ultrassom obstétricos investigativos.

Nessas circunstâncias, aumentam as chances de parto prematuro? Existe alguma pesquisa ou dado sobre isso?

R.R.: De forma geral, não. Porém, se houver o desenvolvimento de doenças como a pré-eclâmpsia (pacientes com gestação tardia apresentam risco maior para apresentar essa patologia), pode ser necessária a realização do parto antes do tempo esperado para ele ocorrer.

Existe alguma diferença em relação aos riscos se essa mulher já teve ou não gestações anteriores?

R.R.: A gestação tardia se relaciona muito com a multiparidade. Em geral, são mulheres que apresentam mais de um filho. Nelas, existe um risco aumentado de hemorragia após o período do pós-parto.

Recentemente, a atriz Cláudia Raia engravidou aos 55 anos, dizendo ter congelado óvulos anos atrás e que, depois, fez um tratamento com o hormônio estrogênio para preparar o corpo para a fertilização in vitro. Esse caso é uma exceção ou seria possível “naturalizar” essa gestação tardia?

R.R.: Creio que no nosso cenário atual, vai se tornar mais frequente esse tipo de gestação, principalmente com a evolução tecnológica. Então, provavelmente, será um processo natural na mente da população, visto que, hoje, a mulher apresenta maior liberdade para tomar a decisão de ter filhos.

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