Gulfood: movimento de visitantes em 24 horas de evento surpreendeu expositores brasileiros de diversos setores

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Gulfood: movimento de visitantes em 24 horas de evento surpreendeu expositores brasileiros de diversos setores
                Divulgação / ApexBrasil (Presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli)
Estandes de produtos variados como xaropes de frutas tropicais, carnes bovinas, água de coco e açaí nos pavilhões da ApexBrasil atraíram potenciais investidores. Empresários brasileiros fecharam negócios na maior feira de alimentos e bebidas de Dubai entre domingo (13) e segunda-feira (14) 

Empresas veteranas e iniciantes com estandes na maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, a Gulfood, que acontece anualmente há 26 anos em Dubai, comemoram o movimento das primeiras 24 horas da feira, que tornou a crescer após dois anos de pandemia.  

CEO da empresa de destilados Stock do Brasil (Kaly), Valéria Natal

“Eu estava muito receosa sobre o movimento da feira por conta da pandemia, mas estou bastante surpresa. Primeiro, porque a feira aconteceu. Segundo, porque teve um movimento excelente ontem. Tivemos bastante interesse de investidores, principalmente da África do Sul”, contou a CEO da empresa de destilados Stock do Brasil, Valéria Natal, de São Paulo, cujo principal produto é o xarope de frutas tropicais Kaly.

Há seis anos, a Stock do Brasil participa com estantes na Gulfood, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). De lá para cá, alcançou mercados como China, Estados Unidos, Canadá, Paraguai, Uruguai, Chile e Arábia Saudita. No mercado interno brasileiro há 80 anos, o protagonista da marca é o licor, mas nos países árabes, a estrela é o xarope de frutas brasileiras, como o de açaí com guaraná.

“Os árabes também gostam muito dos sabores manga, goiaba, maracujá. Temos muita oportunidade aqui uma vez que, por terem restrições à bebida alcoólica, valorizam ainda mais o sabor das frutas. Eles consomem o xarope com água com gás”, relata Valéria.

O segredo do sucesso de um estande numa feira internacional como a Gulfood, segundo ela, é se informar sobre o mercado previamente, visitar algumas feiras antes de expor seus produtos, experimentar produtos concorrentes, estudar o país, seus hábitos e legislação. A empresária teve experiências anteriores variadas e bem-sucedidas com a ApexBrasil, como a participação no PEIEX (Programa de Qualificação para Exportação) e a capacitação para trabalhar com empresas internacionais de comércio eletrônico, como Alibaba e Amazon, onde comercializa seu produto. “Além do apoio financeiro que a agência dá, nos oferece a chancela de que o produto é de qualidade”, explica.

A parceria de aceleração com a plataforma Alibaba e Amazon faz parte do Programa e-Xport da Apex Brasil. A iniciativa tem o objetivo de promover os negócios das empresas brasileiras através da inserção no comércio eletrônico internacional e da melhoria de sua presença digital, tudo de forma contínua e sustentável.

A Terra Coco, marca de água de coco da empresa Terral, de São Paulo, está participando pela primeira vez da Gulfood. A aposta de entrada no Oriente Médio se deve ao fato de que não tem nenhuma outra marca de água de coco engarrafada brasileira na região. “A água de coco engarrafada presente aqui vem da Tailândia, mas eles colocam açúcar e a cor é amarronzada. Nosso diferencial é que a nossa é sem açúcar e sem conservantes”, explica o gerente comercial da Terra Coco, José Eduardo Fischer. Segundo ele, o primeiro dia do evento foi bastante promissor, resultando em reuniões de negócios para o segundo dia.

A Campo Largo, empresa do Paraná que comercializa bebidas não alcoólicas, vendeu um container de sucos de frutas para Angola, logo no primeiro dia da feira, bem como a Gold Açaí, que fechou negócio equivalente a R$ 1 milhão com uma distribuidora brasileira para uma rede de supermercados em Dubai. “Só esta primeira negociação já valeu a vinda para feira”, diz o diretor da Gold Açaí, Mateus Damazio, que está presente na Gulfood há três anos consecutivos, com apoio da ApexBrasil. “Minha estratégia é, em vez de ficar no pavilhão nacional, no hall World Food, onde tem muita concorrência de marcas de açaí, ficar no pavilhão de bebidas. Porque por aqui circulam muitos donos de cafeterias, uma oportunidade de comercializar o açaí nestes pontos de venda”, comenta.

Circulando pelos estandes do Pavilhão do Brasil nesta segunda-feira (14) estava um casal recém-casado que se conheceu no Rio de Janeiro e por isso desenvolveu uma relação de afeto com o país: a libanesa Suhad Tsaousis, que cresceu em São Paulo, e o grego Thanasis Tsaousis, gerente comercial de uma companhia de sucos e refrigerantes em Atenas. Suhad estava experimentando o Açaí Goola. “O açaí está se tornando tão popular aqui porque o gosto é muito especial. Mas sinto falta do Guaraná na feira, que poderia ser mais promovido no Oriente Médio. Seria uma boa oportunidade”, avalia Suhad.

Carnes 

A distribuidora de carnes bovinas Pampafoods, do Rio Grande do Sul, participa da Gulfood desde 2003, e há seis anos com apoio da ApexBrasil. Este ano seu estande está no Pavilhão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). “Normalmente, o movimento do primeiro dia de evento é muito fraco, mas este ano chegaram muitos potenciais clientes. Estamos voltando aos níveis de exportação anteriores ao início da pandemia”, disse o diretor de exportação da empresa, Ricardo Fontenha. “A ApexBrasil nos dá maior visibilidade do que se montássemos um estande avulso”, explicou. “Nosso objetivo este ano é montar um escritório em Dubai, que é o centro nervoso do Oriente Médio para negócios, especialmente no ramo de proteínas”. A Pampafoods já exporta para China, Hong Kong e Costa do Marfim. “O diferencial do Brasil é a qualidade da nossa carne, mas especialmente o alto volume de produção, que outros países não conseguem acompanhar”, afirmou.

O frigorífico Prima Food, de Uberlândia (MG), marca presença na Gulfood há 15 anos, sempre com apoio da ApexBrasil. “Esse apoio da ApexBrasil é essencial, especialmente para pequenas e médias empresas, que não têm protagonismo no mercado suficiente para ter um estande avulso. É importante participar da Gulfood não só para entrar no mercado árabe. No primeiro dia, recebi, por exemplo, clientes da Europa e da Rússia”, conta o superintendente comercial da empresa, Fabiano Furlan.

Segundo ele, desde que a empresa entrou para o mercado internacional, o cenário mudou bastante. “Antes exportávamos principalmente para o Egito. Hoje, para a China e Arábia Saudita”, relembra. Atualmente, 70% dos produtos da empresa vão para a exportação. E o foco da Prima Food este ano é exportar produtos resfriados embalados à vácuo, e não congelados, como no passado.

A Naturafrig, frigorífico bovino de São Paulo, desde 2015 participa da Gulfood, ano em que começou a exportar seu produto, atuante há 45 anos no mercado brasileiro. Logo no primeiro dia da feira, a organização já fechou negócio com a Arábia Saudita e Palestina. “Tem que participar desta feira, o Oriente Médio é o segundo maior consumidor da nossa carne no mundo”, diz o trader da Naturafrig, Gabriel Capuci.

O movimento no Pavilhão da Abiec no primeiro dia foi notório: foi servida meia tonelada de carne para os visitantes e investidores que circularam no local. “Este ano, o Brasil alcançou pela primeira vez o patamar de dois dígitos de exportação, foram US$ 10 bilhões. O nosso objetivo agora é expandir para novos mercados, ainda fechados para o Brasil, que são poucos, como Coreia do Sul, Japão, Canadá, México e Singapura. E muitas aberturas a novos países começam numa mesa de negociações destas daqui”, afirma o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli. Segundo ele, o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, entretanto, só exporta 26% do que produz internamente, o que indica que há ainda enorme potencial de crescimento.

A ApexBrasil trabalha junto com a Abiec para esta expansão por meio do programa Brazilian Beef, que há 21 anos dá visibilidade e credibilidade à carne brasileira e promove participação dos produtores em eventos que abrem portas do mundo todo. Não à toa, hoje o programa setorial é responsável por 98% das exportações de carne bovina brasileira.

Halal 

Circulando entre os estandes da Gulfood estavam duas vendedoras da Fambras Halal, uma certificadora Halal com sede em São Paulo, que presta consultoria para que as empresas brasileiras se credenciem para conseguirem entrar no mercado árabe. Trata-se de uma exigência obrigatória, que garante que o processamento dos produtos segue os preceitos da religião islâmica, ou seja, que os alimentos sejam livres de elementos proibidos no Alcorão Sagrado. Para obter o certificado, devem ser seguidas regras em todo o processo, que deve ser acompanhado por um muçulmano.  Atualmente, há cerca de 140 empresas brasileiras com essa certificação, o que dá ao nosso país o posto de um dos principais exportadores de produtos Halal. No contexto da Gulfood, em função da certificação, muitas empresas do Oriente Médio procuram os stands brasileiros para realizar network e expandir seu mercado.

A GULFOOD 

A Gulfood, que em 2022 ocorrerá entre os dias 13 e 17 de fevereiro, é a maior feira comercial dos setores de Alimentos, Bebidas e Agronegócios dos Mercados Árabes. A feira, realizada desde 1989, é um importante meio de entrada para produtos brasileiros nos Emirados Árabes Unidos e mercados adjacentes. O perfil dos compradores destaca-se pela presença de profissionais de todos os segmentos da cadeia produtiva de alimentos e bebidas, com importante poder de decisão, assim como de formadores de opinião em nível mundial.

SERVIÇO 

GULFOOD 2022
LOCAL: Dubai, Emirados Árabes Unidos, WTC
DATA: 13 a 17 de fevereiro de 2022
EMPRESAS PARTICIPANTES: 114 (67 com a ApexBrasil, 30 com a ABPA e 17 com a ABIEC)
SETORES PRIORITÁRIOS: Alimentos, Bebidas e Agronegócios

A ApexBrasil  

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e de Investimentos (ApexBrasil) é uma das responsáveis pela presença do país na Gulfood 2022. Ela atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos, apoiando atualmente cerca de 15.000 empresas em 80 setores da economia brasileira. Também já atendeu mais de 1.300 investidores e mais de 118 projetos no valor de US$ 23 bilhões em investimentos anunciados no Brasil.

O portfólio de serviços da agência vai desde a preparação de inteligência de dados de mercado para conectar o investidor a autoridades de alto nível, oferecendo soluções para diversos setores da economia. A Agência faz parte do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil, por meio do qual conta com mais de 120 escritórios no mundo, e trabalha em estreita colaboração com outros ministérios, órgãos reguladores, entidades de classe.

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