Metas para 2022: saúde mental precisa fazer parte do nosso check-list

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Maria Fernanda Quartiero e Luciana Barrancos

 

Quem aqui faz resoluções de ano novo? Quem aqui pensa em projetos novos, parcerias, planos para o futuro, viagens, família, estudos? Mas quem coloca a saúde mental nessa lista de prioridades?

 

Nós costumamos elencar uma lista ambiciosa de metas e objetivos para o novo ano, mas muitas vezes nos esquecemos da saúde mental. Precisamos falar sobre ela e intencionalmente colocá-la no topo da nossa lista, como indivíduos e como sociedade, seja pelo impacto que ela tem na saúde, na educação, empregabilidade, violência, produtividade, seja porque ela influencia diretamente nossa qualidade de vida.

 

É muito comum ouvirmos que “não há saúde sem saúde mental”, premissa que diz respeito à necessidade de pensar práticas de cuidado que sejam integrais, ou seja, que considerem as especificidades de nossa saúde física, mental e também as condições de vida de cada pessoa. Essa mesma premissa também nos lembra que sem saúde mental não conseguimos avançar, com qualidade, em nosso desenvolvimento, seja ele pessoal, profissional ou emocional.

 

Quando ouvimos dizer que o corpo e a mente são uma coisa só é porque, de fato, um não trabalha bem sem o outro. Saúde mental não é só do pescoço para cima, nem saúde física apenas do pescoço para baixo. Dados do levantamento “Caminhos em Saúde Mental”, que organizamos no Instituto Cactus, mostram que a saúde mental impacta diretamente nossas ações físicas, nossas relações sociais, capacidade de aprendizagem e aptidão para produzir. Por isso, a prevenção de doenças e a promoção da saúde mental são tão necessárias, especialmente no momento em que estamos nos preparando para novos rumos.

 

E como fica a saúde mental para as metas no trabalho, na escola, na vida?

 

A saúde mental é parte fundamental da saúde do nosso organismo. Do nosso funcionamento biológico e psicológico. Do nosso corpo pessoal e também social. Está relacionada à forma como cada pessoa lida com seu entorno, seus desafios cotidianos e as transformações da vida.

 

Nesse sentido, a produtividade e engajamento dos funcionários, as relações pessoais e profissionais, assim como o empenho com atividades escolares ou ações do dia a dia, estão intimamente associados à saúde mental, que não significa apenas inexistência de doença, mas sim uma complexa rede de interação entre aspectos individuais e condições de vida de cada pessoa. Para cumprir metas, precisamos estar motivadas, engajadas,  e mentalmente saudáveis, em lugares onde nos sentimos valorizadas e respeitadas e tenhamos acesso a à políticas e ferramentas de cuidados psicossociais efetivos e em estruturas que promovam este tipo de cultura, em sua governança, cultura e processos.

 

Segundo um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, trabalhadores que cuidam da saúde mental são, em média, 31% mais produtivos, três vezes mais criativos e vendem 37% a mais em comparação com outros. A pesquisa ainda destaca que os motivos têm pouco a ver com salário, e sim, com o quanto o colaborador se sente parte do sucesso da empresa e no quanto o ambiente é saudável. Ou seja, tem a ver com como nos sentimos, não com quanto ganhamos, e essa tendência tende a aumentar com as próximas gerações.

 

A saúde mental, por diversas razões, é o eixo central para podermos mover todas as engrenagens que queremos, para alcançar as mudanças que dizem respeito a nós mesmos, mas também a diversas outras agendas sociais, ao crescimento econômico e a práticas de ESG. Ela não diz respeito apenas à saúde, mas também a diversos outros setores sociais, como o ambiente de crescimento e desenvolvimento, a inclusão de produção, a educação, o acesso ou falta de materiais bens e culturais, abrangendo também as possibilidades de participação ativa na vida comunitária.

 

Por isso, precisamos cada vez mais incorporar a lente da saúde mental e incluí-la em nossos planos e priorizações. Edificar o debate sobre saúde mental em todos os âmbitos (inclusive nas empresas), incorporando estratégias que trabalhem a  prevenção de doenças e a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho é extremamente necessário e urgente.

 

Que metas de prevenção e promoção em saúde mental podemos incluir na nossa lista para este próximo ano?

 

*Maria Fernanda Quartiero é Diretora Presidente do Instituto Cactus;  Luciana Barrancos é Gerente Executiva do Instituto Cactus, organização filantrópica que promove ações de advocacy e fomento estratégico, ampliando informações  e cuidados com a Saúde Mental.

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