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        Para além do Dia Nacional do Cego
 
  Foto: Divulgação
                                                         David Almeida
   Médico oftalmologista e membro do corpo clínico da Clínica Massilon Vasconcelos


Estamos na semana do Dia Nacional do Cego. Para nós, médicos oftalmologistas, o dia 13 de dezembro é mais um dia na luta pela conscientização e pelo fim do preconceito e da discriminação contra a população cega. Estamos, sempre, reivindicando pela inclusão e acessibilidade num mundo estruturalmente preconceituoso e excludente. Apesar de já conhecermos o Sistema Braille muito bem e dele ser implantado através de legislações que garantem o ensino específico para crianças, adolescentes e adultos com deficiência visual, no Brasil o assunto ainda é tratado como um estigma. Isso persiste, infelizmente, pela não priorização do acolhimento e inserção efetiva das pessoas cegas na sociedade.

Ressalto ainda que nós, classe médica em geral, estejamos na luta diária por um mundo mais inclusivo e digo que o primeiro passo para isso é a informação! Fazer chegar a informação a todos. Explico, portanto, que a cegueira não é a única forma de deficiência visual, como muitos pensam. É comum dividir a deficiência visual em cegueira e baixa visão. A primeira, vai desde a ausência total de visão à percepção de vultos e luminosidades. Já a segunda, a baixa visão, se dá como uma condição intermediária entre a cegueira e a possibilidade de enxergar completamente. Essa última, pode se apresentar de formas diferentes.

Apresento aqui dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dos cerca de 39 milhões de casos de cegueira no mundo, em que mais de 580 mil são somente no Brasil, foi calculado que 80% poderiam ter sido evitados se houvesse diagnóstico médico precoce. Acredito que seja importante salientar que, em todos os casos, sejam realizadas consultas e exames com um oftalmologista. Como médico e, principalmente, como ser humano, espero e luto por uma sociedade mais inclusiva para pessoas com deficiência visual. Um passo importante foi a sanção da Lei 14.126/21 que classifica a visão monocular como deficiência visual, garantindo que a pessoa que enxerga com apenas um olho tenha os mesmos direitos e benefícios das pessoas com deficiência. Daremos mais passos adiante juntos por uma sociedade mais igualitária! 

 

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