Propilenoglicol ou etilenoglicol? Saiba a diferença entre os compostos envolvidos na morte de cães em todo o Brasil

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Propilenoglicol ou etilenoglicol? Saiba a diferença entre os compostos envolvidos na morte de cães em todo o Brasil

                                         FOTO: DIVULGAÇÃO

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) alertou os donos de pets para evitar a compra de petiscos que contenham em sua fórmula o propilenoglicol, substância comum na composição de  produtos para animais de estimação. O aviso se deu em função dos altos casos de intoxicação e morte de cães que vêm ocorrendo em todo o Brasil, após o consumo de petiscos contaminados. Mas, afinal, o que é o propilenoglicol? O engenheiro agrônomo, Cláudio Henrique Oliveira, professor do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro (Unifametro), explica que outro composto, o etilenoglicol, é que tem intoxicado os pets.

De acordo com Cláudio, o que vem ocorrendo é que o propilenoglicol tem sido contaminado com o etilenoglicol. “O primeiro é um composto orgânico, incolor e inodoro com propriedades umectantes, já o segundo é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar à morte quando ingerido, como explica a Anvisa. Os dois têm estruturas moleculares diferentes e efeitos diferentes na saúde humana e animal. Assim, as possíveis causas das mortes dos cães que consumiram os petiscos podem ser devido a uma contaminação de lotes de propilenoglicol com o etilenoglicol, mas esta hipótese está em investigação”, explicou.

Segundo o especialista, nos petiscos para pets, o propilenoglicol tem a função de um aditivo umectante, que confere aspecto úmido e maciez aos petiscos, preservando sua textura e palatabilidade. Por isso, mesmo quando o composto não consta na lista de ingredientes, esse composto pode estar presente sob o nome genérico de umectante. Cláudio explica que a substância não é maléfica aos animais, no entanto sua ausência não causa deficiência nutricional ao alimento.

“O propilenoglicol não causa danos, desde que respeitados os limites seguros de uso, previstos na legislação. Ele é um aditivo alimentar tecnológico permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tanto para alimentação animal, quanto para alimentação humana. A retirada dessa substância não causa deficiência nutricional por se tratar de um aditivo, mas pode levar ao ressecamento dos petiscos úmidos, prejudicando sua textura e palatabilidade. Além disso, cria uma barreira nos pedaços moles para preservar a suavidade dos petiscos úmidos, o que vai sendo alterado com o passar do tempo”, explica o professor.

 

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