Setembro Amarelo: cresce número de suicídio entre idosos 

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A depressão é uma das doenças mentais que mais atinge pessoas com mais de 60 anos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, e os números têm crescido entre a população mais idosa (acima de 70 anos), e mais jovem (abaixo de 20). Outro dado preocupante é que a depressão é uma das doenças mentais que mais atinge os idosos – de acordo com o IBGE, pessoas com idades entre 60 e 64 anos representam a faixa etária com maior proporção (11,1%), entre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença.

Por conta dos dados alarmantes, desde 2015 é realizada a campanha de prevenção ao suicídio, o “Setembro Amarelo”, iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Entre os idosos, o problema está relacionado às muitas perdas e lutos que ele vivencia, de acordo com o médico psiquiatra Antônio Mourão, professor titular de psiquiatria na UFC e também da Universidade sem Fronteiras (UNISF). Uma das principais perdas ocorre com a aposentadoria, uma “morte social”, segundo ele. “Por isso é importante pensar no que fazer após a aposentadoria, antes mesmo que ela chegue. Não é raro que pessoas idosas tenham agravadas suas doenças depois de se aposentarem, porque era a vida social que o sustentava até então”, diz.

Existem ainda os lutos familiares, como aponta o psiquiatra. O idoso, em geral, já perdeu os pais, e começa a perder os irmãos, os amigos e os conhecidos. “O suicídio, então, seria uma forma mais dramática de expressão destas muitas perdas”, avalia.

Mourão chama atenção ainda para o que ele chama de “deixar-se morrer, deixar-se abandonar”, que ocorre quando o idoso, por estar depressivo, resolve deixar de tomar suas medicações diárias “para ver o que acontece”, ou quando ele decide dirigir sem atenção e passa por um cruzamento.

O que fazer?
O psiquiatra Mourão diz que a família de um idoso depressivo tende a tentar contrapor quadros depressivos, que muitas vezes são apenas um momento passageiro que o idoso está passando. “Pode ser apenas um quadro existencial em decorrência de todas as mudanças que ele está vivenciando. Precisamos ter cuidado com as medicações que às vezes podem ser prejudiciais ao idoso. Elas podem até acalmar, deixar o idoso quieto, sem reclamar, mas não resolvem o problema”, diz.

O melhor a se fazer, segundo o médico, é entender que agora o idoso tem outros interesses, e precisa reinventar a sua vida, ter projetos para realizar nesta nova fase que pode ser a que irá durar mais do que qualquer outra fase (adolescência, infância ou idade adulta).

A psicóloga Zilma Cavalcante, fundadora da Universidade Sem Fronteiras, acrescenta que melhor que tratar uma depressão é preveni-la. As pessoas precisam se preparar para envelhecer, e planejar o que farão após a aposentadoria. “Não é depois que acontece, mas antes, é preciso pensar: qual sonho eu quero realizar quando eu envelhecer? É preciso resiliência para enfrentar todas as perdas que são inevitáveis”, aconselha.

Manter-se ativo durante toda a vida
Sair de casa, conquistar novos espaços, adquirir conhecimento, viajar. Todas estas práticas são importantes para prevenir doenças, entre elas a depressão. Outra importante prática recomenda para pessoas de todas as idades, incluindo os idosos, é o exercício físico, que deve ser acompanhado e personalizado. O educador físico Emmanoel Arrais, coordenador da Personal Academia, destaca que a atividade física é importante por três motivos principais:

– O primeiro é pelo fato de que o exercício faz com que o corpo libere dois hormônios fundamentais no tratamento da depressão: a endorfina, que é considerada o hormônio da alegria; e a dopamina, que tem efeitos analgésicos.

– Em segundo, é importante pela questão da socialização. “Estar num ambiente agradável, rodeado de pessoas que estão fazendo a mesma atividade, tudo isso faz com que o portador de depressão esteja novamente ativo”.

– Por último, melhora a autoestima, tanto pela questão estética, quanto pelo maior rendimento adquirido.

Sobre a Universidade Sem Fronteiras (UNISF)
Empresa brasileira pioneira em gerontologia educacional, tem como missão educar, continuamente, através de ações conscientes, desenvolvendo o bem-estar, o crescimento pessoal e a integração de todas as gerações na sociedade. A Universidade Sem Fronteiras nasceu de um sonho: estimular as pessoas idosas a saírem de casa, quebrarem rotinas e realizarem uma grande aventura: conquistar novos espaços sociais, adquirir novos conhecimentos, construir novas amizades, realizar viagens e descobrir como o mundo é diferente e belo. Participar de festas, dançar, se divertir entre amigos e ser feliz.

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